A Prefeitura de Niterói vai intensificar as ações do Novembro Azul nas unidades municipais de saúde, com atividades educativas, orientações e atendimentos voltados ao público masculino. O objetivo é enfrentar o preconceito, a desinformação e o tabu que ainda cercam os exames preventivos e afastam os homens dos cuidados com a saúde.
Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que a procura dos homens pelos serviços de Atenção Primária ainda é bem menor do que a das mulheres na cidade, mas há sinais de mudança. O levantamento, feito com registros do e-SUS sobre doenças do aparelho circulatório, diabetes, doenças crônicas respiratórias, neoplasias malignas, alcoolismo e tabagismo, apontou que as mulheres responderam por 65,24% dos atendimentos analisados e os homens, por 34,76%: foram 164.970 registros femininos e 87.902 masculinos.
Apesar da diferença, os atendimentos masculinos cresceram em algumas áreas entre 2024 e 2025. Nas doenças do aparelho circulatório, a maior demanda entre as enfermidades crônicas analisadas, o número de atendimentos de homens passou de 18.842 em 2024 para 22.482 em 2025, alta de aproximadamente 19%. Nos atendimentos relacionados às neoplasias malignas, a participação masculina subiu de 44,88% em 2024 para 45,84% em 2025 e chegou a 46,77% em 2026, considerando os registros disponíveis até o início de agosto. Entre os idosos, o cenário se aproxima da paridade: na faixa de 60 a 69 anos, os atendimentos por neoplasias ficam próximos do equilíbrio entre os sexos, e dos 70 aos 79 anos os homens chegam a representar 58%.
Para a secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows, os números mostram que ainda é preciso estimular os homens a incorporar o cuidado com a saúde à rotina, especialmente antes do surgimento de sintomas. Segundo ela, historicamente os homens procuram menos os serviços de saúde e muitas vezes chegam às unidades quando já existe algum problema instalado, e o trabalho da rede é mudar essa lógica, reforçando que cuidar da saúde também significa prevenir.
O desafio da prevenção aparece também nos dados sobre tabagismo e alcoolismo. Dos 600 atendimentos relacionados ao acompanhamento do tabagismo no período analisado, 62,5% foram de mulheres e 37,5% de homens, com maior concentração entre pessoas de 50 a 69 anos. Já nos registros de alcoolismo, o cenário se inverte: os homens representam 77,22% dos atendimentos, também com maior concentração entre 50 e 69 anos. Os dados foram extraídos do e-SUS em 3 de agosto de 2026 e abrangem 2024, 2025 e parte de 2026, por isso os números absolutos de 2026 ainda não representam o ano completo.
A campanha também aborda a saúde mental masculina, com temas como estresse, pressões profissionais e familiares e isolamento emocional. De acordo com a Coordenação de Atenção à Saúde do Homem, a proposta é fortalecer o vínculo entre os serviços municipais e a população masculina, incentivando o autocuidado durante todo o ano, e não apenas em novembro.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é o tipo mais frequente entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele não melanoma. Para o triênio 2023–2025, a estimativa foi de 71.730 novos casos por ano no país, o equivalente a 67,86 casos para cada 100 mil homens. Como a doença pode não apresentar sintomas nas fases iniciais, a orientação é manter acompanhamento regular e procurar atendimento diante de alterações urinárias ou outros sinais de alerta, discutindo com o profissional de saúde a realização de exames como PSA e toque retal, conforme os fatores de risco e a avaliação individual.
Até o fim de novembro, as unidades municipais de saúde vão oferecer atendimentos e orientações específicas ao público masculino, como verificação da pressão arterial, hemograma completo, dosagem de glicemia e colesterol, exames de urina, atualização da carteira de vacinação e acompanhamento de doenças crônicas. A necessidade de exames específicos para a próstata deve ser avaliada individualmente, considerando fatores de risco, histórico familiar e orientação médica.
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