Funcionários dos Correios entram em greve em Niterói após denúncia de água contaminada

PUBLICIDADE

Funcionários dos Correios iniciaram uma greve nesta sexta-feira (30) no Centro de Distribuição Domiciliária (CDD) de Niterói, após denúncia de contaminação da água utilizada na unidade. Segundo representantes dos trabalhadores, 21 empregados apresentaram problemas gastrointestinais.

De acordo com a central sindical CSP-Conlutas, uma análise microbiológica identificou a presença de coliformes fecais na água usada pelos funcionários. O resultado indicou, segundo os trabalhadores, que a água não atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde. A entidade afirma que os 21 funcionários apresentaram quadros de gastroenterite e diarreia, com registros médicos, em meio às denúncias sobre a qualidade da água consumida e utilizada nas instalações sanitárias do centro de distribuição.

Embora os trabalhadores relacionem os episódios à qualidade da água, a confirmação da origem de cada caso depende de avaliação sanitária e médica. A presença de coliformes fecais é um indicador de possível contaminação de origem fecal e exige investigação sobre as condições de armazenamento, distribuição e tratamento da água. Os parâmetros de qualidade para consumo humano estão previstos na Portaria GM/MS nº 888/2021.

Segundo a central sindical, a Superintendência Estadual dos Correios no Rio de Janeiro foi notificada na segunda-feira (26). A entidade afirma que, até a decisão pela greve, não haviam sido adotadas providências suficientes para solucionar o problema, e a origem da suposta contaminação ainda precisa ser esclarecida.

Os trabalhadores condicionam a retomada das atividades à adoção de medidas para eliminar os riscos sanitários identificados. Entre as reivindicações estão o fornecimento imediato de água potável para consumo e higiene, a limpeza e higienização do reservatório, a realização de uma nova análise laboratorial, a comprovação de que a água está adequada para consumo, o esclarecimento sobre a origem da contaminação, a emissão das Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT) conforme os casos e a garantia de que os participantes da mobilização não sofrerão punições administrativas ou financeiras.

A representação dos funcionários informou ainda que poderá acionar o Ministério do Trabalho e Emprego, o Ministério Público do Trabalho e a Vigilância Sanitária caso as condições denunciadas não sejam corrigidas. A mobilização é apresentada pelos trabalhadores como uma greve ambiental, motivada por riscos à saúde e à segurança no ambiente profissional. A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) prevê procedimentos relacionados à segurança e à saúde no trabalho, incluindo a possibilidade de interrupção de atividades diante de situações de risco grave e iminente, observadas as condições previstas na regulamentação.

A paralisação atinge uma unidade envolvida na organização e distribuição de correspondências e encomendas e, por isso, pode provocar reflexos na operação postal atendida pelo centro. Até o momento, porém, não há confirmação de quais bairros ou serviços foram afetados, nem de atrasos específicos nas entregas. Moradores que aguardam correspondências ou encomendas podem acompanhar a movimentação dos objetos pelo sistema oficial de rastreamento dos Correios.

Um novo desdobramento está marcado para a terça-feira, 3 de novembro. O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro (SINTECT-RJ) convocou uma assembleia para as 19h, no Centro de Entrega de Encomendas (CEE) de São Gonçalo. O encontro discutirá a greve ambiental e as condições de trabalho em diferentes unidades da região, além do CDD Niterói, a convocação abrange unidades de Icaraí, Largo da Batalha, Itaipu, São Gonçalo, Alcântara, Tribobó, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito e outros locais. A reunião poderá definir os próximos passos da mobilização, e até uma nova deliberação não há confirmação de quando as atividades do CDD Niterói serão integralmente normalizadas.

Até a publicação desta matéria, não foi localizada manifestação oficial específica dos Correios sobre o resultado da análise da água, os relatos de adoecimento e as medidas adotadas na unidade de Niterói. Também não havia confirmação oficial sobre a extensão dos possíveis impactos da paralisação nas entregas. O caso permanece em acompanhamento, principalmente quanto às condições sanitárias da unidade e às decisões que serão tomadas na assembleia de 3 de novembro.


Acompanhe o Ora Veja para mais notícias em tempo real.

Mais recentes

PUBLICIDADE