Nos séculos XIX e XX, a transformação do espaço urbano no Rio de Janeiro resultou em mudanças profundas na configuração geográfica, principalmente relacionada ao seu sistema hidrográfico. Diversos rios que cruzavam a cidade foram alvo de intervenções humanas, com ações de canalização, retificação, desvio e incorporação ao solo com o uso de concreto e asfalto, modificando o cenário natural.
Importantes corpos d’água, como o Rio Carioca, o Maracanã, o Comprido e o Trapicheiros, perderam suas configurações originais de rios a céu aberto. Essas vias de água, que antes desempenhavam funções essenciais na abastecimento público, transporte de cargas, drenagem natural e definição de limites das áreas urbanas, passaram a ser vistas pelos planejadores como obstáculos ao crescimento da cidade.
Atualmente, esses cursos d’água estão ocultos sob a infraestrutura urbana. A transformação, que sucedeu ao longo de várias décadas, moldou o cenário modernizado da metrópole, embora suas origens hidrográficas ainda influenciem questões ambientais e urbanísticas na cidade. As intervenções feitas no passado continuam impactando a relação da cidade com seu patrimônio natural, enquanto debates sobre possíveis recuperações e preservações ganham destaque na atualidade.
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