Terceirização entre autônomos expõe precarização no trabalho da construção civil

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Um morador que realiza uma reforma residencial relata ter contratado um pedreiro e, dias depois, visto o serviço ser repassado a outro trabalhador, com retenção de parte da diária pelo responsável inicial. Segundo ele, a prática encarece o custo para o contratante e reduz a remuneração do executante.

No início da obra, o contratante descreve dificuldades de comunicação com o primeiro pedreiro e cita um episódio em que quase faltaram telhas por falta de aviso prévio. Em seguida, afirma que o profissional substituiu-se por outro, mais conversador, sem ajuste no valor pago pelo serviço. O novo trabalhador trouxe à rotina da obra temas variados, como saúde e consumo de refrigerantes, atribuindo malefícios à Coca-Cola enquanto a consumia, além de mencionar hábitos de fumo no canteiro.

O relato também inclui uma conversa sobre um conhecido identificado como Ledur, que, de acordo com o pedreiro, seria dependente de crack e teria sido ameaçado por dever R$ 500 ao tráfico. Em outra ocasião, as conversas abordaram drogas e políticas públicas: o trabalhador defendeu a liberação da maconha, enquanto o contratante sugeriu a industrialização do produto. Ele critica o Congresso por, na sua avaliação, não tratar do tema e priorizar discussões sobre anistia a golpistas.

Temas religiosos e geopolíticos também surgiram. O pedreiro mencionou a possibilidade de um “apagão de energia total”, justificando a crença com base bíblica. Em política nacional, o diálogo apontou opiniões de que, sob a gestão de Lula, o Brasil não entraria em guerra, ao passo que, com Bolsonaro, haveria risco de conflito. O contratante relata não fazer distinção política ao contratar serviços e menciona tentativas de convencer o servente, que auxilia na obra e fuma cigarros baratos, a apoiar suas preferências eleitorais.

O morador encerra o relato demonstrando preocupação com a situação de Ledur e dizendo esperar que o conhecido tenha quitado a dívida e retomado a rotina. Ele também manifesta a expectativa de que, ao fim da obra, haja demanda de trabalho para os profissionais envolvidos.


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