O governo federal instituiu nesta sexta-feira (6), por decreto publicado no Diário Oficial da União, duas unidades de conservação no litoral sul do Rio Grande do Sul: o Parque Nacional Marinho do Albardão e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, ambas em Santa Vitória do Palmar.
A criação foi coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo as pastas, a medida resguarda uma região considerada essencial para a manutenção da biodiversidade do Atlântico Sul e fortalece a resposta à mudança do clima e à perda global de espécies. Para a ministra Marina Silva, o decreto reflete o compromisso do governo com a preservação, apoiado em estudos científicos, escutas públicas, articulação entre instituições e o trabalho de servidores, pesquisadores e cidadãos.
O conjunto formado pelo parque e sua zona de amortecimento, somado à APA do Albardão, abrange 1.618.488 hectares. O território reúne ecossistemas marinhos e costeiros de alta relevância ecológica, funcionando como áreas de alimentação, reprodução e crescimento para diversas espécies ameaçadas.
Entre elas, destaca-se a toninha, apontada como o golfinho mais ameaçado do Atlântico Sul Ocidental, além de tartarugas marinhas, tubarões, raias, aves marinhas migratórias e mamíferos que utilizam a região ao longo de seus ciclos de vida. A proteção dos habitats é considerada estratégica para reduzir a mortalidade da fauna e assegurar processos ecológicos essenciais nos ambientes marinhos.
O litoral sul gaúcho integra a rota atlântica das Américas, que conecta o Ártico canadense e o Alasca ao sul do continente pela costa brasileira. Nessa trajetória, as áreas funcionam como pontos de reabastecimento ecológico, onde aves descansam após longos voos e acumulam energia ao se alimentar de invertebrados e pequenos crustáceos.
Marina Silva ressaltou ainda que os ambientes de concheiros, a presença de espécies ameaçadas, a notável biodiversidade e o patrimônio arqueológico do Albardão passam a receber proteção compatível com sua relevância, e que a criação das unidades evidencia a proteção ambiental como parte da solução.
Com a publicação do decreto, as novas unidades de conservação estão formalmente estabelecidas no litoral sul do Rio Grande do Sul.
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