Moradores do Condomínio Machado de Assis, no Cachambi, na Zona Norte do Rio, convivem com uma infestação de aranhas que já alcança apartamentos do terceiro andar e chegou até o motor de um carro. Segundo os relatos dos próprios moradores, o problema começou há cerca de dois meses, após a queda de um muro que separava o conjunto de edifícios de um terreno baldio.
Aranhas-armadeira e aranhas-marrom foram encontradas em áreas comuns e no interior dos apartamentos, conforme fotos feitas pelos moradores, que já acionaram a Prefeitura mais de uma vez. Em 26 de outubro, um técnico do Centro de Controle de Zoonoses visitou o condomínio, na Rua Miguel de Cervantes, e orientou, em documento, que os moradores fizessem a dedetização do local e instalassem telas nos ralos.
De acordo com os moradores, uma empresa chegou a fazer um orçamento, mas desistiu do serviço por avaliar que uma dedetização restrita à área do condomínio não resolveria o problema, já que o foco não está no local. Sem uma solução definitiva, os moradores adotaram medidas por conta própria, como tapar bueiros, telar ralos e guardar materiais de obra em sacos para tentar impedir a presença das aranhas. Um dos técnicos da Prefeitura sugeriu a criação de galinhas-d’angola, que atuam como predadoras naturais das aranhas.
A administração municipal informou que, nesta semana, uma nova equipe do Controle de Zoonoses deve ir ao local. Caso seja comprovado risco à saúde dos moradores, a Prefeitura pode determinar a limpeza compulsória do terreno vizinho.
A aranha-armadeira, do gênero Phoneutria, tem comportamento defensivo: ergue as patas dianteiras e dá saltos quando se sente ameaçada. Ela costuma se esconder entre plantas, entulhos, móveis e calçados, e sua picada provoca dor intensa e imediata, inchaço e suor no local. Em casos graves, sobretudo em crianças, o veneno pode provocar vômitos e alterações cardíacas.
A aranha-marrom, do gênero Loxosceles, é menor e costuma se abrigar em locais escuros e tranquilos, como atrás de móveis, em frestas, roupas e calçados. Não é considerada agressiva, e sua picada pode não ser sentida no primeiro momento. Com o passar das horas, no entanto, provoca lesões que podem levar à morte do tecido. Em casos graves, o veneno pode causar destruição de glóbulos vermelhos e degradação renal.
As duas espécies são consideradas de importância médica pelo Ministério da Saúde. Em caso de picada, a orientação é procurar um médico imediatamente.
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