Governador interino do RJ recebeu R$ 192 mil em diárias e dobra salário com viagens oficiais

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Valores recebidos por Ricardo Couto de Castro em viagens nacionais e internacionais reacendem debate sobre transparência, controle de gastos e uso de recursos públicos no Rio de Janeiro.

 

O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro, recebeu R$ 192,3 mil em diárias ao longo de sete meses de 2025. Em alguns períodos, os pagamentos por deslocamentos oficiais superaram o valor do próprio salário mensal, estimado em cerca de R$ 45 mil.

Os números chamam atenção pelo volume de recursos públicos destinados a viagens nacionais e internacionais. Além disso, reacendem o debate sobre transparência, critérios de concessão e controle dos gastos no alto escalão do poder público.

Ricardo Couto assumiu interinamente o governo fluminense após a renúncia de Cláudio Castro, que deixou o cargo para disputar uma vaga ao Senado pelo PL. Antes disso, o desembargador já presidia o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o TJRJ.

Diárias chegam a valores elevados em viagens internacionais

As diárias são pagas para custear deslocamentos oficiais de magistrados. No caso de viagens dentro do país, o valor pode chegar a R$ 1.394 por dia. Já em compromissos internacionais, o limite para desembargadores alcança US$ 865 por dia, cerca de R$ 4.660.

Na prática, esses valores podem elevar de forma significativa a remuneração mensal de autoridades em períodos com muitas viagens.

Os maiores pagamentos registrados ocorreram nos meses de junho, agosto, outubro e dezembro.

Junho teve R$ 49,2 mil em diárias

Em junho, Ricardo Couto recebeu R$ 49,2 mil em diárias. O valor ficou acima do salário estimado para o cargo.

Naquele mês, o presidente do TJRJ realizou duas viagens oficiais. Uma delas foi para Brasília. A outra teve como destino Madri, na Espanha.

Com as diárias somadas ao salário, o rendimento bruto do magistrado chegou a aproximadamente R$ 94 mil no período.

Agosto teve mais da metade do mês em deslocamento

Em agosto, o desembargador passou mais da metade do mês viajando.

Foram oito dias em Portugal, seis dias entre São Luís e Brasília, além de outros dois dias também na capital federal.

O gasto com diárias no mês chegou a R$ 42,6 mil. O volume reforça questionamentos sobre a frequência dos deslocamentos e a necessidade de uma prestação de contas detalhada.

França e Itália concentraram diárias altas

Em outubro, Ricardo Couto passou 20 dias em trânsito. As diárias mais altas foram pagas durante viagem à França, onde participou de um encontro de escolas de magistratura.

Somente sete diárias para o compromisso no exterior custaram R$ 31,4 mil aos cofres públicos.

Já em dezembro, o desembargador recebeu R$ 36,6 mil em diárias. No período, viajou para Roma, Florianópolis e Belo Horizonte.

Na capital italiana, onde permaneceu por sete dias, o pagamento chegou a R$ 31,5 mil para participação em um evento de direito digital.

Gastos reacendem debate sobre transparência

O pagamento de diárias é previsto na administração pública. No entanto, valores tão altos exigem controle rigoroso, justificativa pública e transparência total.

A discussão se torna ainda mais sensível porque Ricardo Couto assumiu o governo interino do Rio em meio a um cenário de instabilidade política e institucional.

Não há, com base nos dados apresentados, comprovação de irregularidade. Ainda assim, o volume dos pagamentos levanta dúvidas sobre os critérios usados para autorizar viagens, calcular diárias e fiscalizar resultados.

Controle dos cofres públicos deve ser prioridade

O caso reforça a necessidade de divulgação clara das agendas oficiais, relatórios de viagem, objetivos dos deslocamentos e resultados obtidos.

Em um estado marcado por crise fiscal, serviços públicos pressionados e cobrança por eficiência, qualquer gasto elevado precisa ser explicado com clareza à população.

A transparência não deve ser tratada como favor. Ela é obrigação de quem administra recursos públicos.

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