Famílias de Niterói e São Gonçalo aguardam respostas da Justiça há anos

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Três famílias da Região Metropolitana do Rio convivem com a mesma angústia: a espera por respostas da Justiça em casos de desaparecimento e morte que seguem sem solução definitiva. Em Niterói e São Gonçalo, mães, pais e parentes relatam anos de incerteza enquanto aguardam a identificação dos responsáveis e a conclusão das investigações.

Em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, Marcele Silvério Moreira da Silva espera há mais de uma década por notícias da filha Polyanna Ketlyn da Silva Ribeiro. A menina tinha 10 anos quando saiu de casa, em 2 de abril de 2015, para comprar um fósforo em uma mercearia próxima e nunca mais voltou. Marcele conta que não consegue se mudar porque a residência é a única referência que a filha teria para encontrá-la, e que evita frequentar a ciclovia e não gosta de deixar os outros filhos brincarem no quintal. Segundo ela, a família segue em frente pelos outros dois filhos, mas a ausência da menina continua sendo uma dor impossível de ignorar. Em janeiro de 2022, Polyanna deu nome à Lei nº 3.687, que institui um alerta para agilizar o resgate de pessoas desaparecidas, com o objetivo de tornar mais rápida a busca por crianças e adolescentes. A Prefeitura de Niterói foi procurada para esclarecer questões sobre a implementação, a regulamentação e o funcionamento da lei, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação da matéria original.

Em São Gonçalo, Márcio Luiz dos Santos ainda tenta entender a morte do filho Bruno Rodrigues Ventura, de 29 anos, ocorrida em 8 de setembro de 2025, após ele ser contaminado por ácido peracético durante uma sessão de hemodiálise em uma clínica particular. Para o pai, não basta saber que Bruno morreu: é preciso esclarecer o que aconteceu, identificar os responsáveis e saber se haverá consequências. Segundo Márcio, já se passaram 14 meses sem que o caso tenha sido resolvido. O delegado encaminhou o procedimento à promotoria, mas a denúncia ainda não foi aceita, e a promotoria aguarda um ofício do Cremerj.

Também em São Gonçalo, a família de Jennifer Vieira Barbosa, de 27 anos, aguarda respostas desde que a jovem foi encontrada morta em 22 de abril deste ano, após sair da igreja que frequentava. Jennifer tinha Transtorno do Espectro Autista e gostava de passar parte do dia na praça do Rio do Ouro. A prima Thamires da Costa lembra que a jovem era alegre e muito querida por quem convivia com ela, e que vizinhos frequentemente perguntam à família se há novidades sobre o caso. Segundo Thamires, a família procura constantemente a Delegacia de Homicídios, mas ainda não recebeu informações que ajudem a esclarecer o ocorrido. A justificativa apresentada, de acordo com ela, é a falta de testemunhas dispostas a prestar depoimento.

Para explicar por que alguns casos demoram a ser solucionados, o advogado Daniel Vargas detalhou aspectos jurídicos das investigações. Segundo ele, o inquérito policial é um procedimento administrativo, de natureza pré-processual, que ocorre antes do processo e tem como objetivo reunir elementos de informação. Em regra, conforme o Código de Processo Penal, quando o investigado está preso, o inquérito deve ser concluído em 10 dias. Quando está solto, o prazo é de 30 dias. Esses períodos, entretanto, podem variar conforme a legislação aplicável, e a complexidade da investigação pode justificar a prorrogação do prazo quando o investigado está solto, desde que a autoridade policial apresente fundamentação específica. Nos casos de pessoas desaparecidas, há uma particularidade: a necessidade de proteger a vida e a integridade física da pessoa. Por isso, a investigação não fica necessariamente limitada ao prazo ordinário de 30 dias e deve continuar pelo tempo necessário até que a pessoa seja localizada ou surjam elementos que permitam a adoção de medidas judiciais. Daniel também esclareceu que a morte presumida somente pode ser reconhecida pelo Poder Judiciário, observadas as hipóteses e os requisitos legais, e que, enquanto não houver uma definição judicial, a investigação deve continuar.

Sobre o andamento dos casos, o Ministério Público informou que a 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial do Núcleo São Gonçalo comunicou que o inquérito que investiga a morte de Bruno está em diligência, com o objetivo de esclarecer os fatos e identificar a autoria. A Polícia Civil informou que o caso de Polyanna já foi encaminhado ao Ministério Público. Procurado, o órgão não conseguiu fornecer informações sobre o andamento do procedimento. Sobre o caso de Jennifer, a Polícia Civil informou que diligências estão sendo realizadas por agentes da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.


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