Em Miami, neste sábado (7), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se com líderes de 12 países latino-americanos para oficializar a criação do Escudo das Américas, coalizão militar proposta para enfrentar cartéis de drogas e conter a atuação de potências de fora do Hemisfério Ocidental.
Ao anunciar a iniciativa, Trump afirmou que a ofensiva pretende desmantelar organizações criminosas na região e comparou o esforço a coalizões formadas pelos EUA no Oriente Médio. Segundo ele, a nova aliança mira tanto o combate aos cartéis quanto a presença de “adversários” externos. Participaram do encontro os presidentes de Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, República Dominicana e Trinidad e Tobago. As falas dos mandatários latino-americanos não foram transmitidas durante a cerimônia.
Na semana anterior, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou que Washington poderia “agir sozinho” em países da região “se necessário” para enfrentar cartéis, medida que contrariaria a soberania dos Estados envolvidos. Ainda neste sábado, a Casa Branca divulgou uma proclamação sobre a Coalização das Américas contra os Cartéis, na qual afirma que os Estados Unidos treinarão e mobilizarão forças militares de nações parceiras para tornar a resposta mais eficaz. O texto também prevê ações para manter afastadas influências estrangeiras oriundas de fora do hemisfério, ponto associado por interpretações à disputa com a China.
Para a interlocução com os 12 países, o governo nomeou a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, responsável pelo tema de fronteiras. Ela declarou que, com as fronteiras americanas consideradas seguras, a prioridade será apoiar a segurança dos países vizinhos no enfrentamento aos cartéis e à influência externa.
O México não aderiu ao acordo. Durante o lançamento, Trump afirmou que “tudo entra pelo México” e disse considerar que os cartéis exercem controle no país. Ele relatou ter manifestado apreço pela presidenta mexicana e afirmado que estaria disposto a erradicar os cartéis. Cláudia Sheinbaum, por sua vez, defende cooperação com os EUA baseada em coordenação sem subordinação e rejeita operações militares americanas em território mexicano por razões de soberania.
Trump também citou a Venezuela, dizendo que seu governo tem conseguido trabalhar em conjunto com a administração de Delcy Rodríguez, e voltou a fazer declarações de tom ameaçador em relação a Cuba, ao afirmar esperar mudanças no país.
A coalizão foi anunciada e a proclamação presidencial está publicada. A coordenação com os países participantes ficará a cargo do Departamento de Segurança Interna, enquanto o governo americano sinaliza próximos passos voltados ao treinamento e mobilização das forças parceiras.
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