Epstein: deputados dos EUA criticam governo Trump: tarjas excessivas e ‘acobertamento’

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Ghislaine Maxwell, condenada como cúmplice de Jeffrey Epstein, recusou-se a responder perguntas em depoimento a uma comissão da Câmara dos EUA na segunda-feira (9), ao invocar o direito de não produzir provas contra si mesma. Segundo parlamentares, seus advogados informaram que ela só prestaria esclarecimentos caso recebesse um indulto do presidente Donald Trump.

A oitiva ocorreu poucos dias após a divulgação, pelo Departamento de Justiça, de milhões de documentos internos sobre o caso Epstein. Em paralelo, deputados de ambos os partidos criticaram o governo Trump e o acesso oferecido aos arquivos, alegando excesso de tarjas e estrutura inadequada para consulta. Parlamentares como Thomas Massie, Anna Paulina, Lauren Boebert, Nancy Mace, Ro Khanna, Jamie Raskin e Becca Balint foram ao prédio do Departamento de Justiça, em Washington, para visualizar versões com menos censuras do que as tornadas públicas.

As queixas se intensificaram após a publicação, no fim de janeiro, de cerca de três milhões de documentos, o que levou 217 deputados a assinarem uma petição para obter cópias sem tarjas. Mesmo com o acesso ampliado, Ro Khanna afirmou: “Nossa maior preocupação é que ainda há muita coisa tarjada, mesmo no que estamos vendo. Estamos vendo versões com tarjas. (…) Continuamos fazendo buscas pelas informações sem tarjas, (…) porque a nossa lei diz que os documentos do FBI e do grande júri original precisam estar sem tarjas.”

Thomas Massie relatou ter identificado um nome oculto por meio de busca reversa após consultar os arquivos, o que levou o Departamento de Justiça a retirar a tarja na versão pública. “Eu gostaria de dar ao Departamento de Justiça a chance de dizer que cometeu um erro e exagerou nas tarjas, e permitir que os nomes desses homens sejam destarjados. Essa provavelmente seria a melhor forma de resolver isso”, disse o deputado.

Jamie Raskin criticou as condições de acesso, afirmando que o órgão disponibilizou apenas quatro computadores, em um escritório satélite, para leitura dos arquivos sem tarjas. “Isso parece um acobertamento”, declarou a jornalistas, ao também apontar inconsistências entre os documentos censurados e o vazamento de nomes de vítimas que não eram conhecidos.

Para sustentar a cobrança por mais transparência, Nancy Mace argumentou que a dimensão do caso impede a existência de apenas uma cúmplice. “Com mais de 1.000 vítimas, não há como ter existido apenas um cúmplice. Todos os envolvidos precisam ser responsabilizados com o máximo rigor da lei — e o mesmo vale para as pessoas que acobertaram tudo isso”, afirmou nesta terça-feira (10).

Maxwell cumpre pena de 20 anos por aliciar jovens — muitas delas menores de idade — no esquema de exploração sexual liderado por Epstein. Ambos mantiveram relação próxima desde os anos 1980 até pouco antes da morte do financista, em 2019. Após meses de idas e vindas, o grupo de supervisão da bancada democrata na Câmara declarou, em nota, sobre o depoimento: “Após meses desafiando nossa intimação, Ghislaine Maxwell finalmente compareceu perante nossa Comissão e não disse nada. Quem ela está protegendo? Vamos acabar com esse acobertamento da Casa Branca.”

O presidente do Comitê de Supervisão da Câmara, o republicano James Comey, foi pressionado a realizar a oitiva de Maxwell depois de atuar pela execução de intimações contra o ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Após ameaça de acusação por desacato ao Congresso, ambos concordaram em depor ainda este mês.


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