Educação financeira na infância estimula autonomia desde cedo

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Especialistas apontam a adolescência como fase estratégica para iniciar a educação financeira, quando amadurecem funções cognitivas e emocionais entre 10 e 16 anos. Orientações incluem mesada, orçamento simples e hábitos cotidianos para reduzir impulsos de consumo. A proposta é fortalecer a autonomia e apoiar escolhas mais conscientes no futuro.


Quem convive com crianças maiores e adolescentes percebe que, em determinado momento, o dinheiro entra nas conversas sobre celular novo, roupas da moda, saídas com amigos e na frase conhecida: “todo mundo tem, menos eu”.

Nessa fase, cérebro, emoções e a relação com o mundo passam por mudanças profundas. A educação financeira deixa de ser apenas números e se transforma em aprendizado de vida, com efeitos diretos na autonomia, na segurança emocional e nas escolhas futuras.

Por que falar sobre dinheiro?
Do ponto de vista do desenvolvimento, a adolescência abre uma janela importante. “Entre 10 e 16 anos, há um avanço significativo nas chamadas funções executivas, que gerenciam planejamento, organização, controle inibitório e capacidade de avaliar consequências”, explica Luiz Mafle, psicólogo, doutor em Psicologia pela PUC Minas e pela Universidade de Genebra. “Nesse período, ocorre um amadurecimento gradual do pensamento abstrato, que permite compreender conceitos como investimento, economia e longo prazo”, complementa.

Esse avanço cognitivo vem acompanhado de maior autonomia emocional. De acordo com o especialista, essa combinação torna essa faixa etária especialmente propícia para a introdução da educação financeira de maneira mais estruturada. Na prática, isso significa que o jovem já consegue entender de onde o dinheiro vem, para onde vai e o que acontece quando ele é bem – ou mal – usado.

Dinheiro não nasce na carteira: os conceitos básicos
Para Adriana Melo, especialista em finanças e tributação e mentora financeira, o essencial nessa fase não é decorar termos técnicos. “O jovem precisa entender como o dinheiro entra, sai e se transforma”, diz. Mesada, tarefas remuneradas e pequenos serviços ajudam a construir essa lógica. A partir dos 14 anos, experiências formais, como o programa de menor aprendiz, também podem fazer sentido, desde que não comprometam os estudos.

Outro aprendizado central é o orçamento. “Introduzir a lógica de ganhar, gastar e guardar cria uma estrutura mental desde cedo”, diz a especialista. O ideal é começar pelo básico, com formas simples de controle de gastos. Planilhas e aplicativos de gerenciamento financeiro muito complexos podem mais afastar das finanças do que ajudar a construir uma boa relação com o dinheiro.

Hábitos simples que constroem disciplina financeira
– Anotar gastos, mesmo de forma simples, para enxergar para onde o dinheiro vai.
– Adotar a pausa de 24 horas: antes de comprar algo que não é necessidade, esperar um dia ou dar mais de uma volta antes de decidir, reduzindo impulsos.
– Definir metas pequenas e concretas: guardar um valor semanal para adquirir algo específico mostra, na prática, o resultado da disciplina.
– Rever a exposição nas redes sociais: ajustar quem e o que se segue diminui desejos criados por comparações.
– Participar do orçamento da casa: conhecer custos ajuda a desfazer a ideia de dinheiro infinito.

A adolescência é uma fase-chave para aprender sobre consumo, escolhas e limites – Crédito: FreePik

Quando a relação com o dinheiro sai do eixo
Erros fazem parte do processo. O alerta aparece quando o consumo passa a regular emoções, com ansiedade frequente ligada a compras, grande dificuldade em aceitar limites ou uso do dinheiro como validação social. Uma relação saudável se fortalece quando o jovem diferencia desejo de necessidade e consegue planejar, mesmo diante de frustrações.

Falar de dinheiro na adolescência não é antecipar a vida adulta, mas oferecer base para escolhas mais conscientes. Com diálogo, exemplos reais e espaço para aprender, o tema deixa de ser tabu e se torna ferramenta de autonomia, não de pressão.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1504, de 16 de janeiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.

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Jéssica Batista
Jéssica Batista é jornalista em formação pela Universidade Cidade de São Paulo. Apaixonada por séries, cinema e por contar boas histórias, em AnaMaria, escreve sobre comportamento, finanças pessoais e atualidades.


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