Juan Pablo Guanipa foi colocado em prisão domiciliar nesta terça-feira (10), um dia após voltar a ser detido por suposto descumprimento das condições de uma liberdade provisória concedida no fim de semana, informou seu filho.
Segundo Ramón Guanipa, o dirigente opositor está na casa da família, em Maracaibo. Ele relatou alívio com a possibilidade de reunir os parentes, agradeceu ao governo dos Estados Unidos por esforços em favor da libertação de presos políticos e afirmou que a medida ainda configura privação de liberdade, cobrando a soltura plena do pai e de outros detidos por motivos políticos.
Guanipa havia deixado a prisão no domingo (8), após nove meses de detenção sob acusação de conspiração. A liberdade durou menos de 12 horas. Nesse período, ele percorreu Caracas em carreata, encontrou familiares de presos políticos, entoou palavras de ordem e defendeu a realização de novas eleições.
Antes do amanhecer de segunda-feira (9), foi novamente levado pelas autoridades. Em comunicado divulgado na segunda, o Ministério Público da Venezuela informou ter solicitado a conversão da prisão em regime domiciliar por suposto descumprimento das condições impostas.
Muitos dos liberados recentemente enfrentam restrições a manifestações públicas. De acordo com Ramón, no caso de seu pai, o documento de soltura previa apenas a proibição de deixar o país, e ele sustentou que se expressar não constitui crime.
Aliado próximo de María Corina Machado, principal liderança da oposição, Guanipa recebeu solidariedade pública. Em declarações a jornalistas em Washington, Machado criticou as autoridades e disse que o governo teme a verdade e os cidadãos.
Também no domingo, outros dirigentes ligados à oposição foram soltos. Foram registradas 35 novas libertações e, desde 8 de janeiro, cerca de 400 no total, após o anúncio de um primeiro processo de solturas no país.
Guanipa é um dos nomes mais proeminentes da oposição a ter sido preso. Ele está detido desde 23 de maio de 2025, acusado de chefiar uma suposta conspiração contra a eleição de governadores e de deputados ao Parlamento. Foi vice-presidente do Parlamento e eleito governador de Zulia, mas recusou tomar posse diante da Assembleia Constituinte instaurada por Nicolás Maduro e acabou destituído. Sua última aparição pública havia ocorrido em 9 de janeiro de 2025, ao acompanhar María Corina em um protesto.
No momento, Guanipa permanece em regime de prisão domiciliar em Maracaibo, enquanto familiares e aliados insistem na sua libertação completa.
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