Falta de remédios nas Clínicas da Família expõe contraste com show milionário no Rio

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A falta de medicamentos nas Clínicas da Família do Rio de Janeiro voltou a provocar revolta entre moradores. Relatos publicados nas redes sociais apontam ausência de remédios básicos, incluindo itens usados por pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.

A cobrança ganhou ainda mais força após a divulgação de gastos públicos ligados ao megashow da cantora Shakira, previsto para a Praia de Copacabana. A apresentação faz parte da estratégia da cidade para atrair turistas e movimentar a economia.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a Prefeitura do Rio defende que o evento pode gerar forte impacto econômico para a cidade, com estimativa de retorno de centenas de milhões de reais. A expectativa é reunir cerca de 2 milhões de pessoas em Copacabana.

Moradores cobram remédios básicos

Nas redes sociais, a principal crítica é direta: enquanto há investimento em grandes eventos, parte da população afirma enfrentar dificuldade para encontrar medicamentos nas unidades de saúde.

Entre os relatos, aparecem queixas sobre falta de remédios para diabéticos, hipertensos, antibióticos e até dipirona. Um requerimento apresentado na Câmara Municipal do Rio também pediu informações à Secretaria Municipal de Saúde sobre falta de medicamentos nas Clínicas da Família, citando itens como dipirona e fluoxetina.

A situação preocupa porque as Clínicas da Família são a porta de entrada de milhares de cariocas no sistema público de saúde. Quando falta medicamento, o paciente precisa comprar por conta própria ou interromper o tratamento.

Para famílias de baixa renda, essa escolha pode ser impossível.

Greve na saúde aumentou pressão sobre a Prefeitura

A crise na atenção básica não se resume aos medicamentos. Profissionais da saúde também têm relatado sobrecarga, falta de reajuste salarial e condições difíceis de trabalho.

Em fevereiro, médicos da família anunciaram greve no Rio após impasse nas negociações. A paralisação foi organizada com manutenção parcial dos serviços essenciais.

Já em abril, reportagem do Outra Saúde apontou que profissionais da atenção básica estavam em greve havia quase dois meses. Entre as reclamações estavam sobrecarga, falta de reajuste e pressão por atendimento em ritmo elevado.

Esse cenário amplia o desgaste político da administração municipal. Afinal, saúde básica depende de continuidade, abastecimento e equipes completas.

Show terá estrutura especial de saúde em Copacabana

Para o show de Shakira, a Secretaria Municipal de Saúde informou que montará três postos médicos na Avenida Atlântica. A estrutura terá atendimento para casos de urgência e emergência durante o evento.

A medida é importante para garantir segurança ao público. No entanto, a comparação com a rotina das unidades de saúde gera questionamentos.

A população quer saber por que há mobilização rápida para grandes eventos, enquanto pacientes relatam dificuldade para conseguir remédios simples no dia a dia.

Debate é sobre prioridade pública

Grandes eventos podem aquecer o turismo, gerar renda, movimentar hotéis, bares, restaurantes e trabalhadores informais. Esse ponto faz parte da defesa da Prefeitura.

Por outro lado, a saúde pública precisa estar no centro das prioridades. Medicamento básico não é luxo. É necessidade.

Quando um paciente diabético fica sem remédio, o risco é real. Quando um hipertenso interrompe o tratamento, a consequência pode ser grave. Quando falta até analgésico comum, a sensação para o cidadão é de abandono.

População quer resposta clara

O caso exige transparência da Prefeitura do Rio. É preciso explicar quais medicamentos estão em falta, quais unidades foram afetadas, quando os estoques serão normalizados e quais medidas serão tomadas para impedir novos desabastecimentos.

Também é necessário detalhar os custos do evento, os contratos envolvidos e o retorno esperado para a cidade.

A crítica que cresce nas ruas e nas redes sociais não é contra a cultura. O questionamento é sobre equilíbrio.

O Rio pode receber grandes shows. Mas não pode permitir que a população procure remédio básico e volte para casa de mãos vazias.

Conclusão

A polêmica em torno do show milionário de Shakira revela uma cobrança maior: a cidade precisa definir suas prioridades.

Turismo e entretenimento movimentam a economia. Porém, saúde pública é obrigação diária.

Enquanto houver relato de falta de medicamentos nas Clínicas da Família, qualquer gasto elevado com evento público será comparado com a dificuldade enfrentada pelo cidadão que depende do SUS.

No fim, a pergunta que fica é simples: de que adianta vender a imagem de uma cidade espetáculo se falta remédio para quem mais precisa?

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