A suspensão judicial de um contrato da Prefeitura do Rio colocou mais pressão sobre o prefeito Eduardo Paes em meio ao ambiente de pré-campanha ao governo do estado. O caso envolve a fase 3 do programa Asfalto Liso e atinge um pacote que, somado em todos os lotes, chega a R$ 1,2 bilhão.
A decisão foi tomada pela juíza Mirela Erbisti, da 3ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital. A liminar suspendeu um contrato de R$ 315,9 milhões e também barrou os efeitos da licitação que definiu a empresa vencedora para obras no Centro, Zona Sul e Grande Tijuca.
O caso ganhou grande repercussão porque não se trata de um contrato qualquer. Segundo os questionamentos apresentados, o pacote total representa cerca de 41% do orçamento da Secretaria Municipal de Conservação em 2026. Em outras palavras, estamos falando de uma cifra bilionária, concentrada em uma das principais vitrines da gestão municipal.
Além do peso financeiro, a licitação passou a ser alvo de suspeitas após recursos de empresas participantes apontarem possíveis irregularidades. A controvérsia aumentou ainda mais com a informação de que a Secretaria de Conservação teria divulgado o início das obras nas redes sociais antes mesmo da publicação oficial no Diário Oficial.
O episódio abre espaço para um debate incômodo. Em ano eleitoral, obras de grande impacto visual costumam ter forte valor político. Quando uma licitação desse tamanho é suspensa pela Justiça, o dano deixa de ser apenas administrativo e passa a atingir diretamente a imagem da gestão.
Embora Eduardo Paes não seja alvo direto da decisão, o desgaste político recai sobre sua administração. O caso oferece munição para adversários, que já podem explorar o episódio para questionar transparência, prioridades da prefeitura e a condução de contratos milionários em pleno ano pré-eleitoral.
Na prática, a crise em torno do Asfalto Liso ameaça contaminar a narrativa de eficiência administrativa que costuma ser usada como trunfo político. E, para um nome apontado como competitivo na disputa pelo Palácio Guanabara, isso pode ter peso no debate público.