A Polícia Civil do Rio investiga um grupo especializado em assaltos a pontos de venda de drogas em São Gonçalo. A apuração se baseia em registros feitos por câmeras, em diferentes casos, que circularam nas redes sociais nos últimos meses.
Segundo a investigação, o grupo seria integrado por paramilitares, que agiriam com interesse em extorsões para obter lucros. Os integrantes também podem estar ligados a homicídios contra traficantes.
O registro mais recente de assalto armado a um ponto de venda de drogas ocorreu no bairro Jardim Catarina, o mais populoso de São Gonçalo. A ação, no último dia 26, na Rua Bernardo Sayão, foi gravada em vídeo e ganhou repercussão nas redes sociais após as imagens serem compartilhadas pelos próprios traficantes da região.
As imagens mostram três homens armados abordando os responsáveis pelo ponto de venda. Dois deles vestiam roupas pretas e usavam capuzes para esconder o rosto, enquanto o terceiro agia sem cobrir a face. Durante o assalto, as vítimas foram rendidas e mantidas no chão, diante de um muro com pichações que fazem referência à facção Comando Vermelho (CV). Enquanto os comparsas mantinham o controle da situação, o homem de rosto descoberto recolheu drogas, armas e dinheiro, colocando o material em um saco preto. Em seguida, o trio fugiu em um carro.
A prática de ataques a redutos de traficantes começou em 2024, em São Gonçalo e Itaboraí, e se manteve em 2025, nos mesmos locais. Em uma ação em 13 de setembro de 2024, na comunidade do Buraco Quente, em Tribobó, houve indícios da participação de policiais, o que levou as Corregedorias da Polícia Militar e da Polícia Civil a abrirem frentes de investigação para identificar os responsáveis, apelidados no mundo do crime de “Bonde dos Fantasmas”. Em 21 de dezembro do mesmo ano, um menor de 16 anos foi baleado no Jóquei e socorrido por moradores ao Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê.
Outra linha de investigação apura uma possível relação entre os assaltos e grupos formados por policiais militares da ativa, ex-agentes e civis, investigados anteriormente pelas Corregedorias e pelo Ministério Público por ataques semelhantes em São Gonçalo e Itaboraí.
Investigadores apontam que quadrilhas especializadas têm direcionado suas ações para o roubo de mercadorias e armamentos em pontos de venda de drogas menores, conhecidos como “esticas”. Diante desse cenário, traficantes da região estariam concentrando armamentos pesados no interior das comunidades, numa tentativa de reduzir as perdas provocadas por esse tipo de ataque.
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