O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, será transferido da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para uma unidade prisional no estado do Rio. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e confirmada no sábado (31).
A Secretaria de Estado de Polícia Penal informou que já iniciou tratativas com a Secretaria Nacional de Políticas Penais para organizar o deslocamento. O presídio de destino e a data da transferência ainda não foram divulgados. A medida altera apenas o local de custódia: Bacellar seguirá preso.
Bacellar foi preso em março deste ano no âmbito da Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas sobre uma ação da Polícia Federal contra o ex-deputado estadual TH Joias, apontado como suspeito de ligação com o Comando Vermelho. Segundo os investigadores, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto teria antecipado detalhes da operação a Bacellar, que, por sua vez, teria alertado TH Joias. As responsabilidades de cada um dos investigados ainda estão em apuração.
Bacellar estava em Mossoró desde junho. Antes disso, ele ficou em Bangu 8, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.
Na sexta-feira (30), Moraes determinou a soltura do desembargador Macário Neto, que estava preso preventivamente desde 16 de dezembro de 2025. A prisão foi substituída por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a apreensão do passaporte. A defesa nega as acusações e afirma que as medidas cautelares seriam suficientes. O advogado Patrick Berriel declarou que pretende demonstrar a inocência do magistrado durante a instrução do processo.
Os advogados de Macário também contestam a suspeita de que o desembargador tenha se encontrado com Bacellar em uma churrascaria no Aterro do Flamengo, em setembro de 2025. Segundo a defesa, dados de antenas de telefonia celular solicitados pela Polícia Federal indicariam que os dois não estiveram juntos naquela data, e o magistrado teria participado de um jantar com amigos no Leblon. Essa é a versão apresentada pela defesa.
A transferência de Bacellar e a soltura de Macário sob medidas cautelares não encerram o processo nem significam absolvição. A investigação sobre o suposto vazamento de informações continua.
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