Família de Marielle Franco denuncia ataques racistas em grupo da PUC-Rio

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A filha da vereadora Marielle Franco, Luyara Franco, denunciou novos ataques racistas contra a memória da mãe, desta vez em um grupo de WhatsApp com integrantes da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), instituição onde a parlamentar cursou sociologia. Ela cobrou providências da universidade e a investigação dos responsáveis pelas ofensas.

Segundo Luyara, uma pessoa usou um termo racista para se referir à ex-vereadora e questionou como ela teria conseguido pagar a faculdade. Em publicação nas redes sociais, compartilhada com o Instituto Marielle Franco, ela classificou os comentários como manifestações de racismo e repudiou os ataques. “Mais uma vez, atacam a memória da minha mãe com o ódio e o racismo. Dói, revolta, mas não vai nos silenciar. Racismo é crime! Exigimos respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio”, escreveu.

Luyara ressaltou a trajetória de Marielle, destacando as dificuldades enfrentadas por uma mulher negra para ocupar espaços marcados pela desigualdade. Para ela, as ofensas não podem ser tratadas como brincadeira ou manifestação de opinião. “Isso não é brincadeira, não é opinião, não é liberdade de expressão. Racismo é crime”, declarou.

Em nota, a PUC-Rio informou que recebeu denúncias por meio de sua Ouvidoria e do Canal Externo de Denúncias e abriu uma investigação interna para esclarecer o episódio. A instituição afirmou que pretende adotar as medidas administrativas e legais cabíveis, declarou repudiar qualquer manifestação discriminatória, incluindo racismo e injúria racial, e disse ter enviado uma nota de repúdio à comunidade universitária para reafirmar o compromisso com a educação antirracista e a preservação da memória de Marielle Franco.

O episódio ocorre poucas semanas depois de outra manifestação ofensiva contra a vereadora. No dia 13, durante um ato nas proximidades da PUC-Rio, apoiadores do então presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ironizaram o assassinato de Marielle. Imagens que circularam nas redes sociais mostram um manifestante usando um carro de som para fazer referência à morte da parlamentar. Na ocasião, a repercussão levou Luyara e a irmã da vereadora, a deputada federal eleita Anielle Franco (PT), a publicarem vídeos em defesa da memória da parlamentar.

Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados em março de 2018, quando o veículo em que estavam foi atingido por disparos após a vereadora deixar um compromisso no Centro do Rio de Janeiro. Os executores confessos do crime, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, foram condenados em 2024. Também foram condenados pelo envolvimento no assassinato Domingos Brazão, então conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro; Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil fluminense; Ronald de Paula, major da Polícia Militar; e Robson Calixto, ex-policial militar.


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