O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito pela quarta vez para a Presidência da República, com pouco mais de 64 milhões de votos, e inicia o novo mandato no Palácio do Planalto em 5 de janeiro de 2027. O segundo turno das eleições ocorreu no domingo (25).
No Congresso Nacional, o cenário para o novo governo é de maioria conservadora. O Partido Liberal (PL) elegeu 19 senadores nesta eleição e, somados aos reeleitos, ocupará 28 das 81 cadeiras do Senado Federal, mais de um terço da Casa, a maior bancada de um partido desde 1988. O PT ficou com a segunda maior bancada, com 16 cadeiras, enquanto o Centrão, formado por MDB, PSD, PP, Republicanos e União Brasil, elegeu 29 senadores.
Na Câmara dos Deputados, o PL elegeu 121 deputados federais, a maior bancada de um mesmo partido desde a redemocratização. O Centrão segue como maioria no parlamento, com 234 deputados eleitos. O PL também garantiu a maioria dos governadores eleitos nos estados.
Outro desafio do próximo mandato está no Supremo Tribunal Federal (STF). Até 2030, Lula terá a indicação de quatro ministros da Corte: Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes devem se aposentar, e a vaga de Luís Roberto Barroso, aposentado em outubro de 2025, segue aberta. Nos últimos meses, os conflitos entre ministros do STF se intensificaram, com o auge quando o ministro André Mendonça divulgou um relatório da Polícia Federal com conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Na economia, previsões de analistas apontam crescimento baixo para o Brasil no próximo ano. As guerras da Ucrânia e do Irã pressionam a inflação brasileira, atingindo, por exemplo, os combustíveis. A continuidade do confronto entre iranianos e norte-americanos em 2027 deve causar o fim do subsídio dos combustíveis.
Nas relações internacionais, Lula deve manter a aproximação com países da União Europeia, por meio do acordo com o Mercosul, e fortalecer as relações com a China, principal parceiro comercial do Brasil. O presidente também deve manter a boa relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar da pressão do tarifaço norte-americano sobre as importações brasileiras.
Além da articulação no Congresso, Lula ainda terá de lidar com os cerca de 59 milhões de brasileiros que votaram em Flávio Bolsonaro no segundo turno. A condução da relação com o Supremo, as indicações para a Corte e a articulação com o parlamento serão pontos centrais da governabilidade nos próximos quatro anos.
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