A deputada estadual Marina do MST (PT-RJ) anunciou nesta quinta-feira (22) a intenção de ocupar uma ilha em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense, alvo de uma disputa judicial entre o atacante Richarlison e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O anúncio foi feito durante uma visita da parlamentar à cidade, onde participou de um ato estudantil em apoio à reeleição do presidente Lula.
A propriedade fica na Ilha Comprida, na Baía da Ribeira, e reúne uma mansão com 11 suítes, piscina, praia privativa, quadra de tênis, heliponto e uma cachoeira que deságua no mar. O imóvel, avaliado em cerca de R$ 10 milhões, está em uma área isolada, cercada pela vegetação da Costa Verde.
Segundo a deputada, a proposta é transformar o local em um centro de formação para jovens de Povos Tradicionais da Costa Verde, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) de Angra dos Reis. A ideia é pressionar pela desapropriação da área e dar a ela uma destinação de interesse público. Como a ilha pertence à União, a disputa envolve questões de posse e ocupação do terreno.
Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel em 2020 e acusa o senador e o advogado Willer Tomaz de terem assumido a propriedade por meio de uma decisão judicial, após ele se recusar a vendê-la ao parlamentar. Flávio Bolsonaro nega envolvimento e diz que figura no processo apenas como testemunha. Tomaz sustenta que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação.
O caso já teve decisões judiciais divergentes ao longo dos anos. Em 2023, uma ação de reintegração de posse foi extinta sem análise do mérito, e em junho de 2025 o Superior Tribunal de Justiça manteve entendimento favorável à empresa ligada a Tomaz. O processo foi arquivado definitivamente em janeiro de 2026. O coletivo Derrubando Muros também apresentou representação ao Ministério Público Federal pedindo apuração sobre a regularização do terreno, e Richarlison afirma que seguirá buscando a recuperação do imóvel ou o ressarcimento dos valores investidos.
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