PF prevê investigação do Banco Master no ano eleitoral; perícia de celulares é lenta

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A Polícia Federal prevê que a investigação sobre o colapso do Banco Master e as atividades de Daniel Vorcaro se estenda por meses, possivelmente anos. Com a apreensão de cerca de 120 dispositivos eletrônicos, a apuração deve avançar pelo período eleitoral, devido à complexidade e ao volume de dados digitais.

Entre os materiais recolhidos estão oito celulares de Vorcaro. Apenas um começou a ser analisado. A extração de dados envolve quebra de senhas, recuperação de arquivos apagados e leitura de mensagens criptografadas. Segundo os técnicos, trata-se de um trabalho minucioso e demorado, que pode levar meses apenas para concluir essa etapa.

A operação Compliance Zero mira suspeitas no sistema financeiro e na administração pública. Estão em apuração gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos, emissão de papéis sem lastro, manipulação de mercado, invasão de computadores e intimidação de testemunhas e jornalistas.

Dados preliminares indicam diálogos de Vorcaro com representantes do Palácio do Planalto, parlamentares de diferentes partidos e integrantes do Judiciário. Ele circulava entre lideranças de direita, esquerda e do Centrão, o que provoca apreensão em Brasília sobre possíveis novos nomes e conexões à medida que as perícias avançam.

A frente de investigação ligada ao Banco de Brasília (BRB) é a mais adiantada. A PF apura possível fraude em operações nas quais o BRB comprou títulos bilionários vinculados ao Banco Master. O banco afirma colaborar com as autoridades e diz que todas as transações foram reportadas ao Banco Central e ao Ministério Público, em conformidade com normas de transparência.

A defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades e questiona a condução do caso. Os advogados acionaram o STF, criticando o vazamento de mensagens antes de terem acesso aos celulares, e pedem a apuração de eventual violação de sigilo judicial. Sobre o fim do banco, Vorcaro alega ter sido alvo de ação articulada de concorrentes e de setores do Banco Central que se incomodaram com seu crescimento.

As perícias continuam sem prazo definido para término. A análise dos dispositivos apreendidos seguirá nos próximos meses e pode ampliar o escopo do inquérito.


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