Escolas e prédios municipais foram fechados temporariamente em Springfield, Ohio, nesta segunda-feira (9), após ameaças de bomba que faziam referência a haitianos. As autoridades isolaram áreas do centro e acionaram o FBI; por volta das 13h, as vias foram reabertas. O caso ocorre em meio ao acirramento do debate migratório e a decisões judiciais sobre a proteção a haitianos nos EUA.
Ameaças de bomba na segunda-feira (9) forçaram o fechamento temporário de escolas e prédios municipais em Springfield, no estado de Ohio, onde a presença de uma considerável população de haitianos fez com que a pequena cidade se tornasse foco do debate sobre imigração e da campanha de deportação em massa do presidente Donald Trump.
O governador Mike DeWine, do Partido Republicano, disse a repórteres que as “ameaças de bomba” começaram por volta das 7h45 da manhã. “São ameaças que faziam referência aos haitianos”, afirmou. “A essência era: livrem-se dos haitianos.”
DeWine observou que, diferentemente de episódios anteriores, que eram exclusivamente eletrônicos, as ameaças desta segunda envolveram pacotes suspeitos encontrados em dois locais da cidade. Ele informou que agentes do FBI estavam em Springfield e classificou as ameaças como “vis”.
Não é a primeira vez que Springfield enfrenta ameaças de bomba, e a cidade voltou às manchetes na semana passada após uma decisão de um tribunal federal afastar a possibilidade de deportação de centenas de milhares de haitianos em todo o país.
O caso judicial tem sido acompanhado de perto em Springfield. A cidade vinha se mobilizando para apoiar os mais de 10 mil haitianos que vivem lá, enquanto o governo federal agia para revogar proteções temporárias e tornar muitos dos imigrantes passíveis de deportação.
Na manhã de segunda-feira, o distrito escolar local informou que todos os prédios estavam sendo evacuados e orientou as famílias a buscarem seus filhos. Um comunicado do governo municipal disse que “moradores e visitantes devem evitar a área central” devido a “preocupações de segurança”.
O prefeito Rob Rue disse em comunicado que “não havia ameaça imediata ou crível ao público naquele momento”. Vários quarteirões foram isolados, incluindo um prédio que abriga escritórios do condado. Ruas foram bloqueadas com fitas policiais, veículos de emergência e uma van da polícia.
Por volta das 13h, a cidade emitiu um comunicado informando que as ruas do centro haviam sido reabertas ao tráfego normal.
Springfield, uma cidade de 58 mil habitantes no meio-oeste dos Estados Unidos, foi lançada ao centro do debate nacional sobre imigração no final de 2024, depois que Trump fez afirmações infundadas de que haitianos de lá estariam sequestrando e comendo animais de estimação como cães e gatos. A cidade recebeu mais de 30 ameaças de bomba separadas em um período de poucos dias.
Autoridades disseram posteriormente que as ameaças eram trotes e que nenhum dispositivo explosivo havia sido encontrado.
Na segunda-feira, esquadrões antibomba com cães farejadores de explosivos estavam no local, segundo empresários e moradores que forneceram fotos ao The New York Times.
Na semana passada, um juiz federal bloqueou temporariamente o governo Trump de encerrar uma proteção humanitária para mais de 350 mil haitianos, que puderam viver e trabalhar nos EUA sob o chamado Status de Proteção Temporária. O governo Trump entrou com um recurso contra a decisão.
Lá Fora
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Enquanto aguardavam notícias sobre a decisão, muitas famílias haitianas mantiveram seus filhos em casa, e o medo aumentou na cidade.
“Na semana passada, a comunidade haitiana estava em estado de ansiedade antes da decisão judicial e muitos não mandaram seus filhos para a escola”, disse Amanda Mullins, corretora de imóveis que tem muitos clientes e amigos haitianos. “Hoje as famílias haitianas estão em pânico e todos em Springfield estão apreensivos”, afirmou.
Em um evento realizado em 2 de fevereiro em apoio aos haitianos em Springfield, mais de mil pessoas lotaram uma igreja. O comparecimento foi mais que o dobro do esperado pelos organizadores.
Os haitianos começaram a chegar a Springfield durante a pandemia de Covid-19 para preencher vagas de emprego em fabricantes de autopeças, armazéns e no setor de saúde.
Se a proteção temporária fosse encerrada, muitas das pessoas da conturbada nação caribenha poderiam ser deportadas. Outras têm casos de asilo pendentes que devem continuar permitindo que vivam e trabalhem nos EUA.
Mas o destino dos haitianos em todo o país permanece incerto, e o caso pode acabar chegando à Suprema Corte.
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