Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificam negociações para formar palanques competitivos em Minas Gerais, estado-chave na disputa presidencial. Enquanto o PT tenta viabilizar candidaturas como a de Rodrigo Pacheco, o PL lida com a recusa de Nikolas Ferreira ao governo e busca evitar repetição do cenário de 2022.
Principais nomes da corrida presidencial deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrentam em Minas Gerais um dos maiores testes de suas estratégias eleitorais. Aliados de ambos os lados intensificaram, nas últimas semanas, negociações para construir palanques competitivos no estado, considerado decisivo na disputa pelo Palácio do Planalto. O peso de mais de 16 milhões de eleitores e o histórico — em quase oito décadas, quem vence em Minas tende a vencer a Presidência, com exceção de Getúlio Vargas em 1950 — explicam o esforço.
Do lado petista, Lula voltou a indicar preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD) para disputar o governo mineiro. O projeto havia arrefecido após Pacheco ser preterido na indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), com a escolha de Jorge Messias para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Nos últimos dias, contudo, interlocutores do Planalto retomaram a aposta na viabilidade da candidatura, inclusive com a hipótese de filiação ao União Brasil. Em entrevista ao portal UOL, Lula afirmou não ter abandonado a ideia.
Paralelamente, o PT passou a sondar outros nomes, como a reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, hoje no radar do PV — possibilidade que ele descarta por estar fora da política. As alternativas enfrentam dificuldades de viabilidade eleitoral. Também circulam na cúpula petista os nomes do ex-prefeito da capital Alexandre Kalil (PDT) e do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB). Há discussões sobre uma eventual chapa ao Senado com Kalil e a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT).
O presidente do PT, Edinho Silva, foi a Belo Horizonte para conversar com Kalil e avaliar a possibilidade de recompor a aliança de eleições anteriores. Aliados de Lula avaliam que, mesmo sem empolgar parte do eleitorado petista, o ex-prefeito poderia ajudar a formar uma coligação ampla no centro político.
Pacheco estuda deixar o PSD, incomodado com a aproximação da sigla com o grupo do governador Romeu Zema (Novo). O partido filiou o vice-governador Mateus Simões, apontado como provável candidato ao Palácio Tiradentes. Kalil, derrotado por Zema na eleição passada, filiou-se ao PDT e manteve conversas com o PT no fim de 2025, mas aliados relatam que pesquisas internas e a ausência de sinais claros do Planalto o levaram a preparar campanha independente. No PT, Marília Campos defende apoio imediato a ele caso Pacheco fique fora da disputa. “Não podemos perder o bonde da história”, disse.
A tese perdeu força nesta semana após o presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmar em rede social que haveria acordo com o PT. Edinho negou, e Kalil reagiu dizendo que em seu palanque “sobe quem ele quiser”.
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Direita busca nome forte e tenta evitar cenário de 2022
No campo de Flávio Bolsonaro, a maior frustração recente foi a recusa do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em disputar o governo mineiro. Ele anunciou que buscará a reeleição à Câmara por considerar sua atuação nacional estratégica para a direita. O movimento reacendeu temores no PL de repetição do cenário de 2022, quando Romeu Zema (Novo) declarou apoio a Jair Bolsonaro apenas no segundo turno, após ser reeleito. Na ocasião, Lula venceu em Minas por 50,20% a 49,80%.
Dirigentes do partido temem que Mateus Simões adote postura semelhante. O PSD tende a lançar candidato próprio à Presidência, e Simões tem acordo com Zema para apoiar esse projeto, apesar de pressões do PL para que o atual governador componha eventual chapa presidencial com Flávio. Outra baixa no entorno do senador foi o distanciamento de Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder nas pesquisas para o governo. Após divergências com Eduardo Bolsonaro, ele esfriou a relação com o PL e colocou a definição eleitoral em espera depois do diagnóstico de leucemia de seu irmão, Matheus.
Nikolas Ferreira vira trunfo da direita nas eleições e em Minas Gerais
Nas articulações da direita, Nikolas passou a ser tratado como peça-chave na estratégia em Minas Gerais e na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Com forte presença nas redes e capacidade de mobilização nas ruas, é visto por aliados como ativo capaz de impulsionar candidaturas locais e fortalecer a base bolsonarista no estado.
A recente “Caminhada da Liberdade”, convocada pelo parlamentar contra o veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, reuniu milhares de pessoas e reforçou seu peso político no início do ano eleitoral. Com mais de 21 milhões de seguidores no Instagram, ele é considerado hoje o principal influenciador da direita para 2026, atrás apenas do ex-presidente Jair Bolsonaro entre políticos brasileiros.
Apesar da pressão interna para disputar o Palácio Tiradentes, Nikolas repete que pretende buscar a reeleição à Câmara e que entrar na corrida estadual poderia se tornar, segundo ele, “um prato cheio para a esquerda”. A cautela tem provocado incertezas no campo conservador mineiro, especialmente entre aliados do vice-governador Mateus Simões, que tenta se viabilizar como sucessor de Romeu Zema.
Dentro do PL, o deputado segue tratado como figura central. O deputado estadual Bruno Engler afirmou à Gazeta do Povo que Nikolas será decisivo na campanha presidencial. “Ele pode ajudar falando com a juventude e usando a comunicação digital. Em Minas, é um dos pesos-pesados. Se fosse candidato ao governo, ganharia, mas não é o desejo dele agora”, disse.
Em entrevistas recentes, Nikolas reforçou que sua prioridade é Minas Gerais e que só participará de um projeto nacional se houver clareza sobre estratégia e alianças, mantendo-se como protagonista na mobilização do eleitorado conservador — ainda que oficialmente fora da disputa pelo Executivo estadual.
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