Uma operação com mais de mil agentes no noroeste do México busca dez trabalhadores sequestrados em 23 de janeiro; duas valas comuns foram localizadas e um corpo apresenta características de uma das vítimas, segundo a Procuradoria-Geral.
Dez trabalhadores de uma mineradora canadense foram sequestrados em janeiro; buscas encontraram valas comuns e ao menos um corpo com características de uma das vítimas.
JESUS VERDUGO / AFP
A mobilização de mais de mil agentes de segurança no noroeste do México encontrou, na sexta-feira (6), um indício relevante nas buscas pelos dez mineradores sequestrados por integrantes do Cartel de Sinaloa.
Segundo a Procuradoria-Geral mexicana, um dos corpos localizados na região apresenta “características semelhantes” às de um dos trabalhadores raptados em 23 de janeiro. O corpo está em processo de identificação.
Os mineradores foram sequestrados em uma mina de ouro e prata da canadense Vizsla Silver, na localidade de Pánuco. O caso ocorre em meio à escalada de violência provocada pela disputa interna do Cartel de Sinaloa desde 2024, que transformou a região em palco de confrontos entre facções criminosas.
A operação em curso é a maior já realizada em Sinaloa para localizar pessoas desaparecidas. Também é considerado inédito o sequestro de um grupo tão numeroso de funcionários de uma empresa estrangeira.
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Moradores de comunidades próximas relatam medo e lembram que já foram forçados a deixar suas casas em episódios anteriores de violência, em 2017 e 2021. “Tememos que o governo nos pressione para revelar o paradeiro dos mineradores. Não temos nenhuma relação com facções criminosas”, disse Roque Vargas, morador de Chirimoyos.
De acordo com o governo mexicano, as facções em disputa são Los Mayos e Los Chapitos, sendo esta última a que domina a região da mina. A riqueza mineral de Concordia — prata, ouro, chumbo e zinco — tem atraído criminosos interessados em sequestros e extorsões.
Especialistas afirmam que, até então, os alvos dos criminosos eram garimpeiros artesanais. “Agora são trabalhadores e engenheiros de uma mineradora transnacional, o que aumenta a pressão sobre as autoridades”, disse o pesquisador Roberto Carlos López, da Universidade Autônoma de Sinaloa.
Segundo relatos de familiares, os operários foram retirados à força de um acampamento na área do projeto. Desde então, o vilarejo de Pánuco foi praticamente abandonado, e cerca de 200 moradores deixaram a localidade por medo da violência.
Durante as buscas, autoridades localizaram dez acampamentos ligados ao crime organizado nas proximidades da mina. Também foram encontradas duas valas comuns no povoado de El Verde, de onde foram retirados corpos e restos mortais. “Os veículos saíram com corpos em decomposição, com um cheiro muito forte”, relatou Marisela Carrizales, integrante de um coletivo de busca que participa das investigações.
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