Menos neve na Patagônia argentina eleva risco de incêndios florestais

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Baixa neve no inverno de 2025 reduziu a vazão de rios e secou o solo na Patagônia argentina, elevando o risco de incêndios que hoje atingem áreas como o Parque Los Alerces — os maiores em mais de duas décadas. A estiagem também afetou o turismo e levou governos a decretar emergência agrícola, segundo dados oficiais e estudos científicos.

Os incêndios que hoje atingem partes da Patagônia argentina refletem a baixa quantidade de neve do último inverno, o que preocupa moradores, turistas e empreendedores que dependem dos visitantes.

O inverno de 2025 registrou pouca precipitação em toda a cadeia montanhosa, de Bariloche e El Bolsón (província de Río Negro) às cidades próximas de Chubut, reduzindo o nível dos rios na primavera e, agora, no verão.

A falta de neve aumentou a propensão a incêndios florestais, como os que ocorrem na região do Parque Los Alerces, os maiores para a região em mais de duas décadas.

“Está tudo interligado: se neva pouco no inverno, chega menos água aos rios e lagos na primavera e no verão, a terra fica mais seca e mais desprotegida. Isso reduz tanto o turismo de inverno, nos campos de esqui, quanto o de verão, nos parques”, afirma o guarda florestal Luciano Machado, que atua na operação de combate aos incêndios na região.

Junho e julho de 2025 foram os meses mais secos dos últimos cinco anos, com precipitações inferiores à metade do esperado. Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia, choveu 60 milímetros em junho e 80 milímetros em julho, ante média de 140 milímetros.

As temperaturas ficaram dentro da média, entre 2,5°C e 3,5°C, com uma massa de ar frio que trouxe mínimas de até -14°C, a menor marca dos últimos cinco invernos.

Com menos neve, os visitantes permaneceram menos tempo nas cidades. A atividade turística em Bariloche recuou 3,6% em 2025 na comparação com 2024, apesar de o ano ter terminado com mais de 1,5 milhão de turistas, segundo a Associação de Negócios Hoteleiros e Gastronômicos da cidade.

A falta de neve impactou os centros de esqui, levando ao fechamento antecipado da temporada em La Hoya, em Esquel (Chubut), quase dois meses antes do previsto.

Na ocasião, a empresa informou que as condições climáticas insatisfatórias forçaram o abreviamento da temporada de 2025. Em 2024, a estação de La Hoya permaneceu aberta até 30 de setembro.

Para este ano, os administradores dizem contar com um inverno mais forte, o que poderia ajudar a compensar a queda no movimento em janeiro no camping que a empresa mantém no Parque Los Alerces.

“Nunca vi tão poucos turistas quanto no ano passado e agora”, diz o agente de turismo Ricardo Niseggi. “As pessoas veem que não caiu neve e vão embora antes do planejado no inverno; escutam o noticiário sobre os incêndios, se assustam e não vêm no verão.”

Pesquisadores do Inta (Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária) em Bariloche e do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Tecnológicas) estudaram a diminuição das chuvas e o aumento das temperaturas no norte da Patagônia, especialmente em Neuquén e Río Negro, e concluíram que a região passa por uma mudança no regime climático.

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O relatório foi usado por governos provinciais para declarar estado de emergência agrícola devido à seca, com impactos no ambiente e na produção agropecuária. Segundo os autores, rios e lagos estão com níveis muito baixos, como já era esperado desde o fim do inverno.

Eles observaram que, desde 2007, as chuvas diminuíram entre 15% e 25% em relação a períodos anteriores, o que se reflete, por exemplo, na pouca neve do monte Catedral, um dos centros de esqui mais emblemáticos de Bariloche.

Com a umidade atual, será difícil manter a alimentação animal sem estratégias de eficiência e conservação. O relatório aponta que o estoque bovino em Neuquén aumentou um pouco, mas essa tendência pode não se sustentar.

Os pesquisadores alertam que a situação não é apenas uma seca isolada, mas uma alteração estrutural do clima, com aumentos de temperatura entre 0,5°C e 1°C na região. A falta de neve padrão é um sinal dessa mudança, e medidas de longo prazo são necessárias para mitigar os efeitos da nova realidade climática.


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