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Introdução
Um novo estudo revela: alimentos ultraprocessados, como salgadinhos e refrigerantes, são projetados para viciar, de forma similar ao cigarro. A pesquisa aponta semelhanças alarmantes em produção, marketing e danos à saúde, exigindo regulamentação urgente. Entenda como seu paladar é manipulado.
Estudo inovador equipara o poder viciante de ultraprocessados ao do tabaco.
Pesquisadores identificam semelhanças em como ambos os produtos são arquitetados e comercializados.
Ultraprocessados contêm doses otimizadas de ingredientes adictivos que geram recompensa imediata.
Alerta para táticas de ‘health washing’ que camuflam produtos não saudáveis.
Cientistas defendem regulamentação urgente, como impostos e restrições de marketing.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Um refrigerante geladinho, um salgadinho crocante, aquele biscoito recheado… Apesar de saborosos, todos esses produtos entram na categoria dos alimentos ultraprocessados. Eles são fabricados industrialmente com corantes, emulsificantes, aromatizantes artificiais e uma série de outras substâncias.
A ciência já confirmou a associação desse tipo de alimento com problemas de saúde como câncer, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e alterações na regulação do apetite. O que ainda gerava debate era se eles poderiam ser considerados viciantes – e um novo estudo, publicado neste mês na revista Milbank Quarterly, traz fortes evidências de que sim.
A pesquisa, conduzida por cientistas das universidades de Harvard, Michigan e Duke, nos Estados Unidos, aponta semelhanças entre ultraprocessados e produtos de tabaco em diversos aspectos: processo produtivo, padrões de consumo, danos à saúde, estratégias de marketing e distribuição. Não por acaso, algumas empresas do setor de tabaco chegaram a adquirir companhias de alimentos ultraprocessados.
Foram analisados dados multidisciplinares sobre dependência, nutrição e história da saúde pública para comparar cigarros, ultraprocessados e alimentos minimamente processados. O resultado foi claro: os ultraprocessados têm muito mais em comum com o cigarro do que com frutas e vegetais.
Assim como na produção do cigarro, esses produtos são especificamente arquitetados para estimular o vício e consumo. Isso é feito por meio de doses otimizadas de ingredientes adictivos (com “c” no meio mesmo, adictivos induzem adicções, ou vícios), capazes de gerar rapidamente uma sensação de recompensa no organismo e manipular o efeito de prazer.
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Enquanto o tabaco otimiza a nicotina, os ultraprocessados aumentam as quantidades de carboidratos refinados, gorduras adicionadas e outros componentes que dão aquela sensação de “querer mais”.
Mas veja bem: a concentração ideal dos ingredientes é cuidadosamente calculada para intensificar o desejo e o prazer sensorial, sem tornar o produto enjoativo ou excessivamente oleoso. Da mesma maneira, o excesso de nicotina pode causar tontura e mal-estar em fumantes.
Corantes e aromatizantes entram como a cereja do bolo, dando o toque final para aumentar ainda mais o apelo do produto. O resultado são alimentos que, muitas vezes, apresentam sabores e texturas mais gostosos do que os dos alimentos naturais, como frutas.
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O estudo também defende que os ultraprocessados sejam classificados e regulamentados de maneira semelhante ao tabaco. Entre as medidas sugeridas estão o aumento de impostos, restrições de venda em escolas e hospitais, limitação do marketing voltado a crianças e alertas nos rótulos. Deve haver uma diferenciação clara desses produtos em relação a outros alimentos, pois os ultraprocessados não podem substituí-los.
Os autores ainda descrevem um processo de health washing, no qual ultraprocessados tentam se passar por opções saudáveis com alegações como “sem açúcar”, “baixo teor de gordura” ou adição de vitaminas. Para os pesquisadores, essa estratégia de fachada dificulta a identificação e a regulamentação desses produtos, em um paralelo direto com as campanhas de filtros de cigarro nos anos 1950.
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