Roubo de veículos e cargas dispara no Rio em meio à instabilidade no comando do governo Ricardo Couto

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Dados oficiais do ISP mostram alta expressiva em crimes patrimoniais, enquanto governo interino enfrenta indefinição política e reorganização tardia na segurança pública

A segurança pública do Rio de Janeiro voltou a acender o sinal de alerta durante a gestão interina do governador Ricardo Couto de Castro. Embora alguns indicadores tenham registrado queda, os crimes que mais impactam diretamente a circulação de trabalhadores, motoristas e empresas apresentaram crescimento expressivo no primeiro quadrimestre de 2026.

Dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro mostram que os roubos de veículos aumentaram 26,5% entre janeiro e abril de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Em abril, já sob a gestão interina de Ricardo Couto, a alta foi ainda mais forte: 61,4% em relação a abril de 2025. O número total chegou a 10.313 veículos roubados nos quatro primeiros meses do ano, sendo 2.549 apenas em abril.

O cenário também é grave no roubo de cargas. Segundo o ISP, o indicador subiu 32,1% no acumulado de janeiro a abril, passando de 1.043 casos em 2025 para 1.378 em 2026. Em abril, a alta foi de 63,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Apesar de o governo divulgar queda em outros índices, como letalidade violenta e roubo de rua, os números de roubos de veículos e cargas expõem uma fragilidade em áreas estratégicas da segurança pública. O roubo de veículos atinge diretamente a população nas ruas, enquanto o roubo de cargas afeta a economia, o comércio, a logística e o custo de produtos para o consumidor.

Instabilidade política no Palácio Guanabara

Ricardo Couto assumiu o governo do estado em meio a uma crise política e jurídica aberta após a saída de Cláudio Castro. Em 24 de abril, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, manteve o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro no cargo de governador interino até decisão sobre a eleição para o mandato-tampão.

A indefinição sobre quem comandará o estado até o fim do mandato criou um ambiente de instabilidade administrativa. Enquanto o Rio enfrenta uma escalada em crimes patrimoniais relevantes, o governo interino concentrou seus primeiros movimentos em cortes, exonerações e reorganização da máquina pública.

Reportagem da Folha de S.Paulo apontou que Couto completou um mês no cargo acumulando a função de governador interino com a presidência do TJRJ, em uma espécie de “vida dupla” administrativa. A publicação também registrou que, até 22 de abril, havia saldo de 1.107 exonerações em diferentes secretarias, com forte concentração na Secretaria de Governo e na Casa Civil.

Segurança pública ficou em segundo plano?

A leitura política feita por críticos da gestão é que Ricardo Couto demorou a colocar a segurança pública no centro das prioridades. A primeira grande reorganização na área só ganhou corpo no início de maio, quando o governador interino transferiu para a Polícia Militar a gestão dos programas Segurança Presente e Barricada Zero.

A mudança foi apresentada como tentativa de dar critérios mais técnicos e ampliar o controle operacional. No entanto, o movimento ocorreu após semanas de instabilidade no comando do estado e em meio a indicadores já preocupantes de roubo de veículos e cargas.

Na prática, enquanto o governo interino se dedicava a reorganizar cargos, cortar indicações políticas e revisar contratos, parte da criminalidade patrimonial avançava. Os dados não permitem afirmar, de forma isolada, que a alta dos roubos foi causada diretamente pela gestão Ricardo Couto. Ainda assim, os números reforçam a cobrança por respostas mais rápidas e por prioridade política na segurança pública.

Roubo de rua caiu, mas sensação de insegurança persiste

O governo também tem dados favoráveis a apresentar. Segundo o ISP, os roubos de rua caíram 20,4% no acumulado de janeiro a abril, com 16.849 registros, o menor número para o período desde 2005. Em abril, a queda foi de 19,2% frente ao mesmo mês de 2025.

No entanto, a queda em um indicador não apaga o avanço em outros crimes de forte impacto social. O roubo de veículos, por exemplo, costuma envolver abordagem direta às vítimas, muitas vezes com violência e ameaça armada. Já o roubo de cargas fortalece quadrilhas organizadas e impõe prejuízo ao setor produtivo.

Governo precisa explicar plano para conter alta

O aumento de 61,4% nos roubos de veículos em abril e de 63,4% nos roubos de carga no mesmo mês exige uma resposta pública mais clara do governo estadual. A população precisa saber qual é o plano emergencial para conter esses crimes, quais áreas terão reforço de policiamento, como será feita a integração entre Polícia Militar e Polícia Civil e quais metas serão cobradas das forças de segurança.

A gestão Ricardo Couto assumiu em caráter interino, mas com todos os poderes de chefe do Executivo estadual, conforme decisão do STF. Por isso, mesmo em um governo temporário, a responsabilidade pela condução da segurança pública permanece no Palácio Guanabara.

O Rio vive um momento de indefinição política, mas a criminalidade não espera a solução da crise institucional. Os números mostram que, enquanto o comando do estado segue provisório, crimes como roubo de veículos e roubo de cargas avançaram de forma preocupante. Para um estado historicamente marcado pela violência, tratar a segurança pública como tema secundário pode custar caro à população.

 

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